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Mielopatia Cervical: A Compressão Medular que Não Pode Ser Ignorada

Reconheça os sinais da mielopatia cervical, condição grave que requer tratamento cirúrgico precoce para evitar sequelas permanentes.

Dr. Matheus LopesPor Dr. Matheus Lopes
22 de fevereiro de 20268 min de leitura
Mielopatia Cervical: A Compressão Medular que Não Pode Ser Ignorada

A mielopatia cervical é uma condição neurológica séria caracterizada pela compressão da medula espinhal na região do pescoço. Sua evolução natural costuma ser progressiva e o tratamento precoce é fundamental para evitar sequelas permanentes.

O que é a medula espinhal cervical?

A medula é a estrutura nervosa que transmite informações entre o cérebro e o restante do corpo. Na região cervical, ela controla movimentos e sensibilidade dos membros superiores, inferiores e funções esfincterianas. Sua compressão afeta múltiplas funções neurológicas.

Causas mais comuns

  • Espondilose cervical: degeneração natural com formação de osteófitos e hipertrofia ligamentar (causa mais comum em pessoas acima dos 50 anos);
  • Hérnias de disco cervicais centrais grandes;
  • Ossificação do ligamento longitudinal posterior (OLLP);
  • Estenose congênita do canal cervical;
  • Traumas cervicais;
  • Tumores intramedulares ou extramedulares.

Sintomas característicos: o quadro clássico

Comprometimento de mãos

  • Perda de destreza fina (dificuldade para abotoar, escrever, manipular pequenos objetos);
  • Sensação de "mão desajeitada";
  • Formigamento em mãos e dedos.

Comprometimento da marcha

  • Sensação de pernas pesadas, "marcha em bloco";
  • Desequilíbrio progressivo;
  • Quedas frequentes em casos avançados.

Outros sinais

  • Sinal de Lhermitte (sensação de choque ao flexionar o pescoço);
  • Hiperreflexia (reflexos aumentados);
  • Sinal de Babinski positivo;
  • Em casos avançados, alterações esfincterianas.

Por que diagnosticar precocemente?

A mielopatia tem evolução tipicamente progressiva. Sintomas leves podem se manter estáveis por anos, mas uma vez instalado um déficit significativo, a recuperação completa é improvável mesmo após cirurgia. O tempo é, literalmente, neurônio.

Diagnóstico

A ressonância magnética cervical é o exame padrão-ouro, mostrando a compressão medular e eventualmente alterações no sinal medular (gliose), que indicam sofrimento estabelecido. A tomografia complementa avaliação óssea, e estudos neurofisiológicos podem ser úteis em casos selecionados.

Tratamento: cirurgia é a regra

Diferentemente da hérnia de disco simples, a mielopatia cervical sintomática raramente responde apenas ao tratamento conservador. As principais opções cirúrgicas são:

Discectomia cervical anterior com fusão (ACDF)

Para compressões focais. Remove disco e osteófitos, com colocação de cage e placa.

Corpectomia cervical

Em compressões mais extensas, remove-se parte do corpo vertebral para descompressão ampla.

Laminoplastia cervical

Técnica posterior que aumenta o canal vertebral sem fixação, preservando mobilidade.

Laminectomia com artrodese

Para casos com múltiplos níveis e instabilidade.

Recuperação e prognóstico

Quanto mais precoce a cirurgia, melhor o prognóstico. Sintomas recentes (menos de 6 meses) costumam ter excelente reversibilidade. Sintomas crônicos podem estabilizar mas dificilmente reverterão completamente. Reabilitação fisioterápica é fundamental no pós-operatório.

Este artigo tem caráter exclusivamente educacional e não substitui a avaliação médica individualizada.

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